O blog Neal Cassady Roubou Meu Maveco mudou de endereço, agora está no Wordpress.
Esse continua apenas com os textos antigos. http://ricardocarlaccio.wordpress.com/
Escrito por Ricardo Carlaccio às 11h05
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Implacável Net Quando eu tinha quinze anos de idade gostava de entrar nas lojas de discos, daquelas que tinha fone de ouvido e a gente podia escutar algumas coisas, na verdade podia escutar se fosse comprar, nem sempre eu podia, mas escutava algumas coisas e fazia planos de voltar com uma grana e adquirir o tal vinil. Descobri o Led Zeppelin numa dessas vezes, chapei na música Dazed Confused, deixei o que tinha no bolso na promessa de voltar até o final da semana com mais algum e levar o disco. Era o Led I, o disco mais blues da banda e pra mim um dos melhores de todos os tempos.
Porém a internet é implacável e como tem gente que gosta pra caralho de pesquisar música acabaram descobrindo que quase todo o Led I é ripado de outros bluesmen e músicos de folk e Dazed Confused pela qual eu fui apresentado ao Led Zeppelin também está no repertório e pertence a Jake Holmes ( que eu vou tratar de baixar alguns sons). Pra muitos isso não deve ser novidade, mas pra mim é:
Vai aí o original de Dazed Confused: http://www.youtube.com/watch?v=pTsvs-pAGDc
Escrito por Ricardo Carlaccio às 17h20
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Os magros só deviam amar vestidos, e nunca no claro Nelson Rodrigues
"Você tem obrigação de ser saudável", escutei isso ontem num programa sobre saúde no canal GNT. Não, eu tenho o direito de ser saudável, com minha saúde faço o que quiser. Dou um look na programação do canal e na sequência aparece a chamada de outro programa, com uma garota que já foi linda quando tinha uns quilos a mais e que no momento dá sinais de anorexia, ela solta gritos histéricos quando falam sobre celulite e alguns quilos a mais. Nos intervalos aparece outra modelo carente de algum X Tudo e escondidinhos fumegantes, todas vivendo exclusivamente pra falta de paladar. Imediatamente sinto saudades do falecido Gerson, aquele que apresentava o X tudo, um programa infantil e criativo da tv cultura, sinto saudades do Gordo, meu amigo de adolescência, inteligente e piadista incontestável. Como se isso não bastasse Mike e Molly são chamados de nojentos por Maura Kelly, uma colunista da Marie Claire americana. Segundo ela os gordos deveriam ser banidos de papéis que sugerissem alguma intimidade física. Indo um pouco além no seu raciocínio pode se decifrar sem muito esforço que os gordos deveriam ser castrados ou talvez chicoteados em praça pública por infringir a lei da estética que é pregada nas revistas de moda e boa saúde.
Voltando ao canal das fêmeas anoréxicas concluo que os gritinhos estéricos da sobrinha da Sônia Braga equivalem à declaração da colunista americana, ou seja: pau nos gordos. Culpados por apreciarem iguarias substanciosas.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 19h05
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Assisti o Abutre, mais um baita filme que tem como protagonista o Ricardo Darin, um filme desgraçado sobre um golpista do mercado das indenizações. E alguns babacas tiveram as manha de rir no final do filme, porra, não era comédia e pelo que eu saiba não estava numa apresentação de stand up comedy.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 04h02
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Vagas para dubladores Ínício imediato
Sim, agora acho que termino meu pequeno romance. É que nesse ano de 2010 devo ter escrito umas dez versões do negócio todo. A princípio era pra ser uma estória de pivetes de bairro, garotos suburbanos sem rumo, no estilo outsiders da Susan Hinton. Era pra ser uma estória ambientada no baixo Ipiranga, na beira do Tamanduateí. É que eu morei por lá em 2006 e ficou uma porrada de imagens em PB daquele lugar. Fiquei imaginando como seria se eu tivesse passado a infância naquele pedaço da cidade, ia ser rocker. Enfim, a estória mudou de rumo e os pivetes foram ficando desinteressantes, fui deletando uma coisa aqui outra ali e quando meu protagonista, um pequeno pretendente a Marlon Brando ficou como uma caveira desidratada a troço minguou de vez e Frank, um irremediável alcoólatra e pai do protagonista acabou virando um dublador de filmes pornôs, sempre nada edificante, botei outro protagonista picareta, ainda mais picareta do que as coisas que ando escrevendo nos últimos dez anos. Talvez, um dia eu volte com a primeira cena dessa estória, porque essa deve ser a primeira cena: quando os garotos se empoleiram na janela de um de seus amigos, depois de descolarem um carango velho pra dar uns rolês, e se pegam emocionados com as cenas finais de rock um e decidem armar um campeonato de boxe amador no bairro. Nada melhor que um clichê pra relaxar. Preciso armar o rascunho novamente, tá na bagunça da minha lixeira, antes queimava, adorava fazer fogueiras com manuscritos datilografados ou impressos em matricial. Sim, sou um garoto velho com uma Águia da Harley Davidson tatuada no braço direito e juro que nunca dirigi uma motocicleta, mas tinha aquele filme do bom, chamado Easy Rider e aquele outro que deve ter a primeira melhor cena do cinema, o Harley Davidson e Marlboro Man e foi por causa disso que fiz o passarinho no braço, como diria meu primo cruzado. No mais estou disposto a mudar, disposto a assistir todos os filmes do Bogart e aprender alguma coisa sobre estilo.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 03h09
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Essa cidade está cada vez mais provinciana Há algum tempo eu descobri um grande dramaturgo chamado Plínio Marcos e o Plínio escreveu um livro chamado Prisioneiro de uma Canção, é prosa, mas eu o chamo de um longo poema, porque o Plínio fazia poemas do jeito dele. Nesse livro ele fala de um autor que vende livros nas ruas e nas portas de teatro, um saltimbanco e esse autor como a maioria deve saber era ele mesmo. Eu estou falando sobre esse livro fundamental porque a prefeitura daqui de são paulo resolveu tirar os artistas que fazem suas performances na rua, prenderam o guitarrista Rafael, e logo meterão as mãos nos meus livros. O que não dá lucro está proibido, se não paga imposto pra usar o solo público será despejado. Ok, como a maioria aqui também sabe eu vendo meus livros nas ruas e quando parar quero que seja por minha vontade e não por arbitrariedade do governo. A concentração de policiais coagindo está na Paulista. Quem patrocina aquela avenida? Boa pergunta. Tenho minhas dúvidas se isso não aconteceria por ali no caso de existir uma outra prefeitura, quero dizer de outro partido. Existem planos macabros pra definir o uso do chão dessa cidade, independente de quem esteja no comando, esse chão tem que ser lucrativo acima de tudo, você tem que gerar divisas, senão é indigente. Afinal de contas o país do futuro não admite palhaçadas no semáforo. Vou dizer aqui que meu plano sempre foi ser indigente. Não seria meu direito ficar de fora de qualquer projeto que queira me administrar? Aliás, sou um mal humorado que odeia a palavra projeto. Quem faz projetos são os engenheiros, os artistas fazem arte e os bons amantes gozam com prazer.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 15h52
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Hoje 
Escrito por Ricardo Carlaccio às 15h21
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É foda. Se você for um escritor que gosta de beber e fuder, inevitavelmente algum patife vai dizer que é por causa do Bukowski, às vezes delegam tanta responsabilidade pro bom e velho safado que parece até que foi ele quem inventou as putas, a bebida, os alcoólatras e tudo mais. Só pra ilustrar:
"Esse complexo de Bukowski já estragou e ainda vai estragar várias gerações. Por que tantas pessoas veem esse farsante como modelo?" Frase de Ruy Castro (O bom moço), pra Ilustradíssima.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 15h19
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Algum pé de Serra pra lavar minha Alma de Borracha
Tudo começou por conta de uma pergunta que eu fiz a minha amada, se ela preferia Stones ou Beatles. Como figuras eu prefiro Mick Jagger e Keith Richards do que John Lennon e Paul McCartney, ela disse. Insisiti pentelhamente na pergunta: Qual das bandas você prefere? Ela disse que gostava de Led Zeppelin e pronto. Bem, eu sempre preferi a selvageria dos Stones, a parada mais rocker mesmo, mas nunca dispensei alguns clássicos dos Beatles, como Rubber Soul e Sargent Peppers. Sim, foram discos antológicos que eu tinha gravado em fita cassete, fitas que emboloraram no pé de serra entre Campinas e Pedreira, onde morei entre 1998 e 2000. Depois vendi meus vinis no sebo do Aníbal, na Barão de Jaguara, a melhor loja de vinis de Campinas. Vendi porque precisava de grana e estava doente, pensei na possibilidade de morrer dentro de um ano naquele tempo. Não morri e me arrependi de ter vendido aqueles discos, principalmente depois de ver o Lola Satanic em frente ao City Bar, pregando em nome do Demônio e dizendo que ele era o primeiro rockeiro de Campinas. Sim, o Lola entrava de costas quando ia ao Pão de Açúcar comprar uma garrafa de pinga e limpava os pés antes de sair, ele sabia que era mal quisto pelos funcionários do estabelecimento. Ok, o Rubber Soul me fez lembrar o Alma de Borracha do Beto Guedes. Penso que todo adolescente devia ter outro disco dele, o Sol de Primavera, pra nunca perder a inocência com o sol batendo no colchão velho num fim de tarde e uma garrafa de Sangue de Boi debaixo da pia. Lembrei da barraca que vendi há algum tempo atrás prum casal de hippies e pensei em comprar outra numa dessas lojas de departamento e pegar a estrada e cozinhar macarronada e depois jogar aquele pedaço generoso de queijo derretido por cima e não pensar em coisa alguma. Do mesmo jeito que fiz no começo dos 2000, quando a coisa estava barulhenta por aqui eu ia pra rodoviária e escolhia um destino, empaturrava minha mochila, acoplava minha barraca nas costas e seguia em frente. Dessa vez levo minha amada e ela divide o peso comigo, minha alma de borracha bem acompanhada dessa vez e um cachorro vagabundo de praia pode se sentar ao nosso lado enquanto alguém escuta Bob Marley.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 04h16
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Amanhã Festa da Panelinha Books e lançamento do livro de Luana Vignon 
23 de novembro - 20hs
Club Noir (Rua augusta, 331)
Preço promocional do livro apenas no dia do lançamento - R$ 10,00
Escrito por Ricardo Carlaccio às 17h34
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Saiu a Coyote número 21 Com um conto inédito de João Gilberto Noll, ainda não li nada dele, mas sou muito afins de ler seu livro Hotel Atlântica & Além de outros autores saiu também alguma coisa do Raymond Chandler, para os fãs de literatura Noir, não sei exatamente o que é, mas logo vou conferir entre os dentes do Coyote. Mais informações no blog do Ademir Assunção, entre os links. 
Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h44
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O pesadelo de Jon Fosse O único escritor da Noruega que eu conhecia até sábado passado era Knut Hansun. O escritor da penumbra, da fome, da desesperança, aquele Dostoievski escandinavo que exige um bocado de estômago pra ser lido. Pois bem, o Mário Bortolotto trouxe pro palco um outro cara da Noruega, o escritor e dramaturgo Jon Fosse e seu texto seco , Noturnos. Coerentemente ao texto preciso vem a direção de Bortolotto, seca e silenciosa e a ótima atuação do elenco respeitando a partitura. O que me faz pensar que aquilo não é um palco, não é um teatro ( na acepção mais comum da coisa), e sim um abismo, onde almas são arrastadas e jamais sairão incólumes Uma história sobre a relação fracassada de um casal. Uma mulher cobrando algum tipo de iniciativa de um escritor que tem seus originais constantemente recusados e passa dias sem sair de casa . Esse é o mote, aparentemente simples, de um texto meticulosamente construído a partir de diálogos aparentemente lugar comum, mas que vão dando lugar ao pesadelo, a desesperança, a vastidão negra da alma humana, a falta de vontade, ao comprometimento com coisas sem importância, como panelas e talheres, ao comprometimento com a própria neurose que talvez seja a única coisa que reste. Uma história tão lúgubre quanto às próprias noites intermináveis da Noruega, como um apartamento vazio onde nada acontece.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 13h18
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Logo Mais

Escrito por Ricardo Carlaccio às 18h09
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HOJE 
Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h08
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Era apenas a ingenuidade pulando os muros, ela tem que ser atleta, mas do tipo que fuma e esconde uma garrafa atrás da trave, ela tem que se manter embriagada o tempo todo. Sóbria ela é apenas um cadáver.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 02h46
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