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NEAL CASSADY ROUBOU MEU MAVECO
 


 

O velho sótão em que o velho resolveu fazer uma grande faxina/ amontoado de "Tranqueiras Líricas" (Marcelo Montenegro)/ fósseis de alguém  carregados de uma certa prosódia do cine americano/ uns trecos travestidos de hiperlinks/  bagunça psicodélica similar a uma Biblioteca de Babel (Borges)/ raízes em Nashville e outra numa fenda do Viaduto do Chá com pinturas rupestres criadas por um protopunk/chuva de LSD e um amanhecer de cogumelos mágicos/um velho sebo de vinis/um andrógino vestindo sandálias de couro/armações no verso da caixa de sucrilhos/o velho parque de diversões de Ferlinghetti/ Cidade alta e labirintos/aquele parque melancólico em Montevidéu/ as ramblas podem ser vistas de ponta cabeça/um cara legal pode se lançar no fundo do mar na cidade velha (Mirisola)/Hunter Thompson decidindo seu destino/deus é uma brincadeira de criança/alguém inventado uma rádio maneira na América/ Johnny Cash cortando os pulsos numa canção/ dividindo a elegância da solidão/ os mortos e suas rebeliões/ um brinde em copos de plástico/ drinks coloridos e balas etílicas para as crianças/ hiperlinks e barris de pólvora/os garotos da rua Paulo em algum lugar da Hungria/garrafas de Tokay nas escadarias de Montmartre/ qualquer hora nos relógios de Dali/a porta do hotel no deserto/ o garoto perdido de Jarmush/ corridas de cachorros na Flórida/ talvez uma parada em Cleveland/talvez praias desprovidas de uma geografia exótica/ um bocado de poesia beat/um bocado de vinho barato e algumas sacadas da jaqueta jeans/ um bocado de coisas no sóton/ alguma prosódia saindo dos escapamentos/ alguma coisa deve continuar quando se limpa um sóton/não há dúvida de que os fantasmas moram em assinaturas desbotadas nas capas dos Lps

 




Escrito por RICARDO CARLACCIO às 02h43
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Beatitude Baderneira

Não sei se fui durão, ou tentei manter essa fama pra mim mesmo, numas de Travis Bickle na frente do espelho “você está falando comigo”, sei também que me perdi em alguns mitos e que a memória tratou de me deixar como protagonista e também que os detratores sempre fazem questão de me lembrar sobre a dura realidade. O fato é que gosto da tensão e confesso que o sangue esquenta quando vejo uma boa briga.  Admirei a forma como David Goodis acabou a história toda, por mais trágica que tenha sido. Meus heróis nem sempre foram pessoas temperadas, alguns se consumiram no furacão, no fio da navalha, na tensão, assim como todos os santos baderneiros que fizeram alguma diferença. O fato é que admirá-los jamais me causou algum temor. Alguns acreditam em algum tipo de Deus, uma reza secreta, alguma mandinga. No enterro dos meus heróis costumo beber algum destilado marrom e imaginar que foi Salvador Dali quem deu vida a eles e derreteu seus relógios pra que não fossem corrompidos pelo tempo. Porque no fio da navalha ficaram algumas marcas da última noite no cabaré, porque a cor mais próxima é um fresta azulada. “Nascemos sozinhos e morremos sozinhos, não é meu camarada” e eu imaginava que fôssemos ficar velhos e daí olharíamos pros restos do pó e perguntaríamos se não era tudo aquilo, toda prosódia inventada na última hora, toda aquela mistura de cenas beats, as coisas capazes manter os heróis imortais.



Escrito por RICARDO CARLACCIO às 04h33
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Entre a realidade e o mito, fico com o mito

Uma das coisas que mais tem me incomodado nos últimos tempos, tem sido os leitores que tomam a literatura ao pé da letra fazendo juízo de valores como se estivessem diante da novela das oito, confundem literatura honesta com autobiografia e não compreendem o mito, não compreendem que toda literatura está além dos fatos do dia dia, que pra ser honesta deve estar em fina sintonia com os mitos atuais. Daí, se jack perambulou pela américa o que diz ter perambulado já deixa de ter importância, é irrelevante, e o que passa a importar é o mito da estrada, do outsider, do cair fora, do herói que penetra no desconhecido. A sintonia deve ser fina, e os autores que alcançam essa sintonia são grandes.



Escrito por RICARDO CARLACCIO às 03h42
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Só pra fechar a noite:

Morphine : Cure for pain

http://www.youtube.com/watch?v=XWKYxhyKja4



Escrito por RICARDO CARLACCIO às 05h16
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Nervos de Aço

É bom escrever por aqui novamente, meio que saudoso do meio dos anos 2000, porra foi há muito pouco tempo atrás, mas com essa parafernália toda parece mais de uma década, bem mais. Migrei para o Wordpress, mas achei a usabilidade uma bosta bem grande, tão chato que me brochava, por aqui a coisa é mais simples, gosto desse caos urbano, do centro lotado, da movimentação toda, mas gosto também do meio do mato, apenas por 5 dias e  nada mais, mas gosto e aqui me parece esse meio termo, e por que estou falando isso? O  caos e a calmaria,  é que de vez enquando gosto de dar uma blitz pela cena do rock, com muito menos frequência que nos anos 90,  quando ir à galeria era uma lei, uma vitamina pra manter os nervos de aço intactos, com suas escadas rolantes defeituosas e uma espécie de maldade fake divertida. De um tempo para cá, com esse lance de uma indústria de eventos e tal, o rock virou um baita negócio, não que a coisa já não fosse nos anos 70, a molecada ficou mais comportada, rockeiro mais nerd que doido, mais rush (MINÚSCULAS) que SABBATH, estudando pra ser o melhor guitarrista e essa coisa toda do mundo competitivo que parece chegar à todas as esferas,  e o que antes parecia ser atitude passa a ser um pouco morno demais pro meu gosto. No mais, nem tudo tá perdido na desordem que se espalhou pelas beiradas do Tamanduateí, ainda tem a Nova Barão com um monte de vinil voltando  timidamente, mas voltando. É isso aí, deixar os coxinhas de lado e se empaturrar com um x tudo cheio de bacon, cafés, cafés e cigarros e se a coisa apertar,  creio que mereço algo pra manter os nervos de aço intactos.



Escrito por RICARDO CARLACCIO às 05h04
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Ao final do roteiro

 

Ao final do roteiro, pois agora me lembro e retomo o essencial, o roteiro como uma espécie de títeres manipulados habilmente por um diretor, talvez uma hipótese de deus, ou mais próximo da divindade, para além do bem e do mal, pois qualquer movimento e quase todos eles são baseados em informações, ou o sinal de trânsito não é informação (retomo) qualquer movimento causa o bem e o mal, inseparáveis de acordo com os pagãos e injustamente classificados de acordo com os dogmas mais ortodoxos da nossa religiosidade ocidental, pois bem antes que seja tarde ... Ao final do roteiro são as duas informações responsáveis pelo fluxo do que pode ser definido como uma espécie de “faça você mesmo” e isso me fez pensar que o punk rock deveria ter surgido em Dublin ou Belfast e não em Londres e  se estou certo,  Malcon McLaren foi exatamente o que disseram: o agente do destino dos Sex Pistols, mas talvez as noites de Dublin permitam mais algumas boas brigas de bar do que três acordes, daí é fácil entender que a  música fique por conta do U2 e Sinead Connor, pois bem, o IRA já fez sua parte, basta, definitivamente a Irlanda não precisa do punk rock, talvez porque já o seja em sua essência, aliás bem Blue como casas de moças amistosas, erotismo, solidão e auto sabotagem regada à doses de Jameson, o que talvez confunda um pouco quem está amarrado pelas cordinhas quando este se percebe tão solitário num roteiro que segue o fluxo de consciência e insights baratos e tem uma sacada de que o livre arbítrio naqueles grandes sofás de veludo cheirando a coisas duvidosas está prestes a parecer uma grande piada. Seguindo o raciocínio baseado na regra do repertório -- que pode manter o sujeito em casa de pijama esperando a morte chegar de maneira branda, de preferência dormindo, evitando-se todos os generosos exageros que a vida pode proporcionar, no caso evita-se estimulantes num bolso e calmantes no outro – existe a possibilidade de jogar io io no abismo ou resgatar ecos numa caverna – um Blue mais irlandês do que o seguro desemprego e tão divertido quanto o gol de mão do Maradona, ou na melhor das hipóteses, parodiando o rei de Nápoles, tão divertido quanto roubar a carteira de um inglês e falando nisso vou escutar o último do David Bowie.

 

 



Escrito por RICARDO CARLACCIO às 04h29
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Mulher de bandido


Mariposas em Copacabana

Maresia no vidro dos automóveis

Pivetes na avenida & armadilhas nas estradas

A cuíca ouriça o meu corpo

O apito é mais que um grito

Porrada é uma palavra bonita, aliás,

Bonita pra caralho, que é o melhor dos adjetivos

Eu sinto medo quando pressinto o perigo

Sinto a falsidade na voz do político

E a maldade nos olhos da freira

Sinto malícia na lesa do pivete

Na passada de mão

Na contravenção

Sinto uma vontade louca de gritar no elevador

De correr pelos corredores

De abrir todas as portas

Sinto  a certeza do santo

Na mágica do milagre

O sangue correndo nas veias

Sinto a tonteira da cachaça

Nas voltas da cabeça

E sinto não rodar mais

Rodar rodar rodar

Rodar e perder o eixo

Rodar e ainda ter peito de rodar mais

Às vezes quero sonhar e sonho

Às vezes quero um homem e ganho

Às vezes quero dinheiro e faço

Às vezes quero nobreza e minto

Às vezes eu quero  e não quero

Mas o que eu quero de um bandido

Não é só o dinheiro

É a vontade de lutar

Bernardo Vilhena



Escrito por RICARDO CARLACCIO às 04h28
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Escrevi este post no wordpress há uns dois anos atrás, creio que o blog já tenha virado um dinossauro, mas ainda gosto dele, quanto às redes sociais,  faço algumas ressalvas, pois elas tem se mostrado eficientes nos últimos tempos, nada de milagre, nada de otimismo babaca, mas penso que as redes sociais valem a pena quando usadas com inteligência, no mais:  a babaquisse que já existia sem elas, agora é demonstrada em tempo real e na proporção exata, o que para fins de constatação vale como prova de alguma coisa.

E books, Ipeds, Tablets, Iphones, twitter e facebook, torrent, dowloads gratuitos, assinaturas mensais... Cadê meu bip, eu esqueci o meu no banco do ônibus. Uma avalanche de informações, esquemas legais pra baixar música. Bacana, não dispenso. Mas ainda é aquele garoto que vinha com a sacola cheia de vinis e livros, sim, ainda é ele que vai sacar mais das coisas.

Com todas essas novidades penso que o blog  está prestes a se tornar um dinossauro. Textos um pouco maiores, nem pensar, parece pesar cada vez mais nos  olhos de quem lê.

A new wave agora é o facebook.

Filas de antenados pra assistir a rede social, o correspondente prafrentex da década de oitenta, mais autista e sem pastilha mentex pra aliviar o bafo.

Você vai saber a hora exata em que seu amigo virtual caga, onde ele bebe ou se entrou de vez num programa de abstenção. Isso pode ter lá seus benefícios, porque de acordo com seu simancol você pode evitar certas indelicadezas. Você pode escolher seus amigos virtuais por categoria, evitando combinações absurdas num local fechado. Por essa via pode evitar de antemão assuntos indesejáveis de acordo com cada grupo.

Não, não estou preocupado com a derrota das relações humanas. Estou preocupado com a falta de montanhas pros eremitas e na pior das hipóteses, com  a extinção de spiders jurusaléns num futuro próximo.

Vamos lá, amem uns aos outros e se esqueçam de respeitar a massa cinzenta que existe aí dentro.

Roupa passada e limpinha assim como a mamãe mandou. E não se faça de sonso porque já foi avisado

Troque sua picanha por TV Dinners. Não perca tempo. Afinal de contas  tempo é grana.

E os patrocinadores sabem muito bem disso.



Escrito por RICARDO CARLACCIO às 04h27
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Dobrei a esquina e alguns garotos me esperavam com canivetes afiados e navalhas nos cabelos. Eu tinha uma última dose de uísque no bolso da jaqueta jeans e um coturno que pisavaem ciclones. Umsoco inglês no bolso direito e uma porção de aventuras no esquerdo. Alguns sons do demônio no disk man e uma garota de bunda grande pro fim da noite. Eu tinha uma puta vida legal meu brother. Trocaria por uma navalha e canivetes afiados. Garotos têm um trunfo. São imortais.



Escrito por RICARDO CARLACCIO às 04h20
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 Esses dias fui indagado por uma jornalista?! numa conversa informal, não era entrevista, ainda que fosse seria informal também, por eu não ser dado a outro tipo de discurso. Mas voltamos à jornalista: ela me perguntou, na verdade imperou, sobre meu dever em participar ativamente das redes sociais, afins de divulgar meus livros. Segundo ela, as redes sociais são o novo milagre, bem, discordo quanto ao novo, pois devido a avalanche de informações e novas mídias ocorrentes, a  palavra "novidade" se torna desatualizada em questão de dias. Outra discordância é em relação ao milagre, pois não existem milagres nas redes, ao não ser que existam banners, muitos deles depositando uma boa quantidade de grana na conta bancária do dono do gato que pula, ou do pai cafetão do bebê:  que tem um raciocínio normal, mas levando em conta o retardamento mental da família e de boa parte dos espectadores ávidos por um vídeo no you tube, esse se torna o gênio da semana.

A tal jornalista crê ingenuamente  em  milagres e novidades, o que me faz crer que também acreditou em papai noel até perder a virgindade. Mas voltamos a minha descrença em milagres, isso é claro, quando não se trata de gatos que pulam, ou de pequenos gênios do subúrbio.  O raciocínio é simples, matemático, e tem o nome de "proporção" e quem não gosta de xadrez, ou acha que matemática é só um emaranhado de continhas do ginásio, está desprezando uma lógica simples e caindo na esparrela da esperança ingênua que beira o boboca, que é esperar das redes sociais o milagre da fama, quando não existe ali, algum retardamento mental, ou a tal unanimidade burra, do impagável Nelson Rodrigues.



Escrito por RICARDO CARLACCIO às 04h17
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