Duas de uma vez e eu também estou por lá
 
Saíram os números 16 e 17 da Revista Coyote. Como acontece desde 2002, as duas vieram recheadas de escritores e ilustradores de naipe. Quem conhece o Ademir Assunção( Pinduca), Rodrigo Garcia Lopes e Marcos Losnak sabe o quanto essa trindade editorial é peso pesado. Não preciso falar mais nada, quem leu o Zona Branca ou o Adorável Criatura Frankestein do Pinduca ou ainda sacou as traduções que o Rodrigo fez dos Poemas de Whitman e Sylvia Plath sabe o que eu estou falando.
Como já disse, esses dois números estão catega, na 16 tem Marcatti. E a 17 vem com o Carcarah fazendo a capa e ilustrações internas ( O cara é foda) mais textos de Rubens K, Luana Vignon, Bruna Beber & uma caralhada de escritores que batem forte. Eu também estou por lá.
Onde encontrar:
Sebo do Bac
Livraria Cultura
Livraria do Espaço Unibanco
Na própria Coyote: revistacoyote@bol.com.br
e na Editora Iluminuras.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 18h26
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ESTRÉIA

Escrito por Ricardo Carlaccio às 17h04
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Não Vai Adiantar
A alegria nunca vai me alcançar
Ela vem e dá tapinhas nas minhas costas
me chamando de psiu
de truta
Mas nenhuma dessas duas coisas é meu nome
A alegria vai lançar uma montanha de livros de auto-ajuda
e servir doses homéricas de chiboquinha em forrós universitários
Mas eu nunca vou estar presente
Ela vai se fazer de enraivecida pra tentar me convencer
A alegria tem assessores de imprensa e institutos de pesquisa trabalhando incessantemente a seu favor
Vai me chamar de companheiro em seus comícios
e permanecerei indiferente
Porque eu acordei num dia chumbado
num quarto cheio de brothers chapados
Porque algum filho da puta gravou um disco falando a verdade
e eu tava à toa e atento
Escrito por Ricardo Carlaccio às 14h07
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Amanhã tem Desconcertos no Coletivo Galeria. O Desconcertos é um evento de poesia bem bacana, organizado pelos grandes Claudinei Vieira e Anselmo Luís (Bac). E eu vou estar lendo alguns textos com uma galera da pesada: Pocket Show com Saco de Ratos Blues - Fábio Brum, Marcelo Watanabe, Flávio Vajman e Mário Bortolotto. E os Poetas - Marcelo Montenegro, Pierre Masato, Paula Klaus, Luana Vignon, Fabiana Faleiros e Sérgio Mello.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 15h48
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O sol está azul lá fora. Nesses dias, alguns caras gostam de correr no parque. Eu prefiro ficar por aqui, em silêncio.
Nunca gostei dos grandes eventos. Algumas bandas bacanas tocam por aqui e eu não vou. É lógico que os preços exorbitantes dos ingressos impediriam que eu fosse de qualquer maneira. Mas, mesmo que fosse mais barato. A grande quantidade de pessoas num só lugar me deixa numa situação desconfortável. Se eu estiver de passagem, tranqüilo. Eu até banco, mas ficar mais de meia hora num lugar lotado, não. Eu não banco mais. Acho que a última vez que pisei num lugar desses, foi no Sarajevo. A cada passo alguém me pedia licença. E eu obedecia, é claro. As outras pessoas não têm culpa se eu funciono desse jeito. Afinal de contas, o mundo é delas, não meu. E nem faço questão que seja. Eu também não detesto as pessoas. O que acontece é que se eu ficar muito tempo ao lado delas, escutando o que têm a dize, começo ter engulhos. E isso também não tem nada a ver com eu me achar melhor ou pior que as outras pessoas. Isso tem a ver com minha incompatibilidade em relação à maioria delas. Desde pequeno nunca fui um cara muito legal, nunca gostei muito de participar das coisas. Sempre detestei gincanas na escola. Quando rolavam excursões, geralmente eu aproveitava pra ficar em casa, ou fazer alguma outra coisa que me interessasse de fato. Algum troço que eu tivesse escolhido fazer. No outro dia chegava na escola e todo mundo me olhava com um certo ar de desprezo. Como se eu tivesse feito uma grande desfeita. Mas não era nada disso. Só não tava a fim de congratular e pronto. Minha irmã jurava que eu tinha sérios problemas mentais, por causa da minha falta de sociabilidade. Ficava puta comigo. Lembro de uma vez, era uma excursão num parque. Não me lembro qual. O monitor bolou uma corrida, imediatamente todos começaram a correr. Eu não tinha motivos pra disparar. Fiquei ali, na minha, olhando uma garotinha de óculos. Uma princesa de cabelinhos negros. Não disparei. O diretor da minha escolinha que possuía uma fisionomia muito parecida com a do Hitler, me repreendeu. Minha irmã endossou. Mas não arredei pé. Não me senti nem um pouco fodão por causa disso. Fiquei muito magoado com a pressão toda.
O Hitler era o monitor de uma escolinha paga que paralelamente fazia um tipo de serviço filantrópico. Abrigando crianças abandonadas pelos pais. As que tinham bom comportamento, conquistavam o direito de estudar na mesma turma que a gente. Às vezes eu ficava sacando eles no outro pavilhão. Era mais ou menos assim que a coisa era dividida, em pavilhões. Obviamente elas eram um bocado mais tristes que os garotos da minha turma. Eu me identificava com eles, mesmo de longe. Sacava alguma coisa errada por ali. Não sabia exatamente o que era, mas aquilo me aporrinhava. Eles jamais participavam das mesmas excursões que a gente. Não que eles não quisessem, como era meu caso. Mas a coisa era feita daquele jeito por pura exclusão.
Existia também a horinha boboca de artes, numa delas, tínhamos que passar cola por cima de uma laranja pintada e deixar que secasse pra ficar brilhante. Eu insisti até o último instante que não passaria a cola. Tava legal do jeito que eu tinha pintado. A porra da laranja era minha. Daí a professorinha disse: “Todos passaram cola sem reclamar, fizeram direitinho o que eu mandei, só você quer fazer diferente. Você é um garoto difícil heinh!”. E eu não me orgulhava disso, pelo contrário, me sentia mal pra cacete. Mas não conseguia de maneira alguma fazer de outra maneira. Na essência, hoje, sou o mesmo cara. Entendo os motivos da minha indiferença, continuo não me achando o fodão por causa disso e nem a pior das espécies. Entendo o porquê funciono desse jeito e pronto, não arredo pé. E isso me basta. Só que os assuntos não se resumem mais a participar ou não participar de gincanas, ou passar cola ou não passar cola na laranja pintada na folha de sulfite. Eu sempre soube que os que abdicam pagam um preço. E ele é dividido em prestações. O boleto pode chegar a qualquer momento. E eu estou disposto a arcar com o que alguns chamam de prejuízo.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 17h15
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AMANHÃ, A TERCEIRA EDIÇÃO
Escrito por Ricardo Carlaccio às 22h12
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TAPE
Na metade da década de noventa eu fazia esporadicamente operação de som pra algumas peças de teatro. Acabava ganhando uma porrada de convites pra ver tudo quanto era apresentação. Devo ter visto umas três delas. Eram terríveis. As que eu trabalhava eram piores ainda. Me davam engulhos. Alguns caras do elenco eram legais. E isso fazia com que eu suportasse a coisa toda. O trampo não durou muito tempo, acabei desistindo. Não era nenhuma questão ideológica. Mas eu nunca gostei de trampar num troço que eu não acredito. Peguei um certo bode de teatro naquela época. Achava que era tudo daquele jeito. Infelizmente, a maioria das coisas são um bode mesmo. Ou é aquele besteirol todo, chapado de preconceitos, pra arrancar risos gratuitos de um monte de babacas. Ou é a coisa cheia de conceitos forçados, pra parecer bacana pruma banca julgadora. Pouca coisa parece de verdade.
Na metade da década de noventa eu assisti a peça "Medusa de Rayban" do Cemitério de Automóveis, o texto saltava do palco. Puro rock n'roll. Era diferente de quaqluer coisa que eu tivesse visto antes. Depois disso eu queria ver tudo quanto era peça que fosse feita por esses caras de Londrina. O diretor da maioria daqueles textos era também o autor da maioria deles. Um cara de aparência bronca que também não tinha o jeito afetado dos outros diretores de teatro. Não ostentava uma teoria cheia de milongas. E lembrava muito os escritores que eu mais chapava. Esse cara era o Mário Bortolotto. E agora estréia mais uma das inúmeras peças que tem a mão do homem. E se o homem tá dirigindo, já é um puta motivo pra eu ir ver.
Texto: Stephen Belber
Direção: Mário Bortolotto
Com: Pedro Guilherme, Marcelo Serlingardi e Carolina Fauquemont
Sexta e sábado às 21:30
Domingo às 20h até 29/06
Teatro Sérgio Cardoso- Sala Paschoal Magno
Ingressos: R$ 10 a R$ 20
Escrito por Ricardo Carlaccio às 22h02
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Uma hora dessas eu fico frio
A torre da igreja me ameaça. Entro no terceiro maço de cigarros. A cabeça não pára. Nina Simone tenta me acalmar. Perco as estribeiras. É melhor eu ficar por aqui. Nesse momento eu posso ser um perigo pra sociedade. Agora sou eu que ameaço a torre da igreja e todas as carolas. Os lutadores de Jiu Jitsu me causam repugnância. Se alguém apostar em mim numa rinha vai sair ganhando. Meus cigarros acabaram e é a segunda garrafa de água que eu entorno. Olho pela janela e titubeio. Meus pulmões pedem mais um maço de cigarros e uma garrafa de água. Minha consciência pede que eu fique por aqui e não me meta em confusão. Olho pras latas de cerveja na geladeira. Se eu não tivesse que trabalhar e tivesse vinho ao invés de cerveja eu entraria nele. Botava um filme legal e ficaria tranqüilo. Mas eu tenho coisas a fazer. As ruas não estão me convidando, mas eu vou invadir o bem estar presente nelas. Espero que ninguém me olhe nos olhos. Vou andar cabisbaixo e evitar que alguém fique ferido gravemente.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h32
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Naked Lunch (Hoje)
Aida no Sesc Pompéia às 20:30 rola o filme do Cronenberg que é a adaptação do romance Almoço Nú de William Burroughs. Eu nunca fui muito fã da obra do Burroughs, mas o Cronenberg vale a pena. Tá dado o toque.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h57
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Nossa Vida Não Vale um Opala
Hoje no Cinesesc, às 2 da madruga o filme Nossa Vida Não Vale um Opala. Adaptado da peça Nossa Vida Não Vale um Chevrolet de Mário Bortolotto.
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Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h10
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A Morte é Doce ao Som de Chet Baker
No meu Walkman
um bocado de tranquilidade
Chet Baker me distrai
&
devolve um pouco de humanidade na hora da grande matança.
Aponto minha 45 na direção dos fracos
uma bala dedicada ao peito de quem nunca sentiu o gosto do fracasso
Me regozijo e durmo sem culpa e oração
É o momento exato de respirar humanidade
Não negociaria com os virtuosos que andam de guarda-chuvas antes da tempestade
Abrir mão de uma noite terna sobre os cadáveres dos fracos. Jamais!
Assim meus óculos escuros e um futuro incerto valerão um bocado no dia seguinte
Escrito por Ricardo Carlaccio às 03h55
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Tranqueiras Líricas Na Casa das Rosas
Tá bom demais, hoje ainda tem Nuvem Cigana no Sesc Pompéia. Na virada cultural esse grande poeta (Marcelo Montenegro) vai estar apresentando suas tranqueiras líricas na Casa das Rosas junto com o outro grande (Fábio Brum) tocando guitarra. A parada vai acontecer 2 e meia da madruga.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 02h46
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Vida Bandida
Hoje e amanhã, no Sesc Pompéia, vão se apresentar os poetas do movimento Nuvem Cigana: Chacal, Charles Peixoto, Bernardo Vilhena e Ronaldo Santos.
Dias atrás eu estava lendo o livro que fala desse movimento fudidaço da poesia marginal, alíás, os caras foram os fundadores dessa parada toda. O livro é: Poesia e Delírio no Rio dos Anos 70. Ali estão todos eles falando sobre suas experiências dentro da nuvem. Vale a pena ver os caras de perto.
Sesc Pompéia às 20:00hs, grátis

Escrito por Ricardo Carlaccio às 15h01
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Nessa Noite Não Tinha Como Ser Diferente
Fico louco
Fico louco, faço cara de mau, falo o que me vem na cabeça Não digo que com tudo isso eu fique legal Espero que você não se esqueça Espero ver você curtindo o reggae deste rock comigo Grite forte, dê um jeito, cante, permaneça comigo Fico louco, xingo, quebro o pau, só você me faz a cabeça A gente sofre tanto, vive muito mal Espero que você não se esqueça Espero ouvir você dizer que gosta de viver em perigo Considerando que eu não seja nada mais além de bandido Fico louco, faço pelo sinal, me atiro ao chão de ponta cabeça Me chamam de maluco, etc e tal, espero que você não se esqueça Eu quero andar nas ruas da cidade agarrado contigo Vivendo em pleno vapor, felicidade contigo
(ITAMAR ASSUMPÇÃO)
Escrito por Ricardo Carlaccio às 03h53
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Esses diálogos geniais do Garth Ennis

Tulipa: Pelo que sei, têm dois locais perfeitos pra se procurar Deus: Na igreja ou no fundo de uma garrafa.
Jesse Custer: Então, talvez eu deva procurar uma loja de bebidas. Pois uma coisa eu digo: Numa igreja é que ele não está.
Preacher ( A caminho do texas)
Escrito por Ricardo Carlaccio às 13h35
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