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Algum lance só pra continuar Tem um troço que eu quero fazer desde criança, desde quando um amigo tinha umas luvas de boxe e nós dividíamos o par, então só dávamos socos com a mão que estava provida de luva e com a outra nos defendíamos. Esse lance que eu quero fazer desde criança é boxe, não fiz quando pivete por causa da dependência dos pais, na adolescência por pura preguiça mesmo, gostava da idéia mas tava sempre no mó prego, adolescente bate muita punheta então não sobra energia. Depois a coisa foi perdendo força dentro de mim e desencanei, de um ano pra cá, assistindo O Lutador E Homeboy (ambos do Mickey Rourke) a idéia ganhou força novamente. Não sou um cara bonito, mas tenho lá minha pinta de Baby Face, e por isso mesmo quero chegar aos cinquenta com a cara estragada, quero chegar aos cinquenta impondo respeito como um Danny Trejo. Então faz duas semanas que eu voltei pra academia de musculação, coisa que eu havia abandonado três anos atrás porque mudei do Ipiranga e aonde eu tava não tinha aquela espécie de academia dos campeões por perto, só tinha aquelas de aspecto demasiadamente saudável e isso me incomoda. Agora descolei uma bacana pra treinar, boto um MC 5 no fone de ouvido e faço o que o instrutor manda, só isso. Há um tempo atrás eu só entrei nessa pra não matar alguém, eu tava prestes à isso. Agora o naipe é outro, me sinto incomparavelmente melhor. Gosto de gastar a neurose por lá e depois de uma sessão de sacrifício é claro que minha vontade de beber aumenta. Acho que no fundo eu tô numas de aumentar o tanque e depois o bíceps. Daqui uns dois ou três anos quando eu estiver mais organizado nesse lance de horários pretendo entrar numa academia de boxe, pra depois competir mesmo, numas de amador senil. Acho que tenho alguma chance com os velhos do bairro, acho que a gente pode competir e depois dividir algumas doses de Conhaque ou Jack, dependendo da situação.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h45
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Entrevista com Jack Kerouac por Ted Berrigan Pergunta: E o que me diz de rituais e superstições? Tem alguma, relacionada com o trabalho? Kerouac: Por um tempo cumpri um ritual, acendendo uma vela para escrever, que eu apagava quando terminava o trabalho daquela noite...E também ajoelhava para rezar, antes de começar...Mas hoje simplesmente odeio escrever. Superstições? Estou começando a desconfiar da lua cheia...
Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h10
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Lira dos 30

Eu era só um garotinho na época que esses caras tocavam no Lira Paulistana. Não sabia de porra nenhuma, mas sei que por ali passou uma cambada de músico bom e bandas Du caralho. Algumas coisas nunca fui muito com a cara como: Ná Ozzeti e Tetê Espíndola e outras cheguei aos 33 ainda sem conhecer. Mas minha opinião a respeito de música vale menos do que um doce de abóbora em forma de coração. Pra mim o grande lance é os caras que o grande Clemente vai apresentar: Paulinho Barnabé do Patife Band e Kid Vinil e outra que fez parte do repertório do Lira, mas que jamais poderemos ver de novo, porque o Itamar Assumpção deve tá levando uma com Deus ou ironizando umas pá de coisa junto com o homem. E pra fechar o Arrigo Barnabé, que embora eu não tenha o mínimo saco pra escutar nada além de Clara Crocodilo não posso discordar que o Clara é um puta disco e o Arrigo um puta inventor dedicado e genial. Volto a dizer, minha opinião vale menos que doce de abóbora em forma de coração. Programação Completa:

Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h31
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La Carne e Fábrica de Animais, Hoje na Livraria da Esquina No melhor estilo rock, rock mesmo. Porque se alguém me pergunta qual é o estilo de uma dessas duas bandas eu só posso dizer que é rock and roll e du bom. E não pára por aí, os caras fazem rock com letras di prima, só que sem nenhum tipo de pseudo cabecice. É rock direto com efeito duradouro e vale muitíssimo a pena conferir. 
Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h08
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Um cara grande com coração de passarinho
Ontem eu tava lembrando do que o Mirisola falou sobre o Randy, "um cara grande com coração de passarinho". É que ontem eu peguei um peso errado, um pouco além do meu limite e só pra acabar de foder eu tenho um problema no ombro. O resultado foi o quase rompimento do meu tendão. A bagaça só não fudeu de vez porque um desses caras grandes com coração de passarinho veio ao meu socorro e removeu o halteres antes que desse merda. Hoje o cara veio me perguntar se tava tudo legal e me recomendou uma série de exercícios pra recuperar a bagaça. Só pra lembrar que nem todos esses caras são algum tipo de Ryan Gracie, muitos deles ainda podem ser um bocado tranqüilos.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h16
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Amanhã 
Sempre desconfiei da palavra amor. Nunca gostei dos hippies por conta do slogam “Paz e Amor”. Certa vez uma garota perguntou pro Marião como ele definia o amor e ele foi curto e grosso como manda a lei do velho oeste e disse: “amor é aquela paçoquinha que eu comia quando era garoto.” Ironia Du caralho, por essas e outras curto os textos do Mário Bortolotto e sempre que posso vejo suas peças. E a última que vi foi Brutal, a peça fala sobre uma tal de Legião do Amor liderada por Estevão, um cara que tem sua própria interpretação do Antigo Testamento. Uma espécie de Skin Head sem a cabeça raspada e suspensórios, um tipo que pode estar ao nosso lado na fila do supermercado e a gente não vai sequer perceber o filho da puta. Esse naipe de cara se propaga por aí, a cada dia pinta uma igreja evangélica na esquina pra tomar a grana e a alma de algum otário, todas pagando de legião do amor ou legião da boa vontade, o que dá na mesma merda. Todos prometendo a salvação, todos o mesmo embuste, como pastores que comem as crentinhas através de seus discursos messiânicos. Como diz a pesonagem Sol magistralmente interpretada pela Érica Puga: "acho que é solidão, né, cara? A gente precisa se agarrar em alguma coisa. Qualquer tábua de salvação tá valendo". Existem vários níveis de solitários buscando Deus de maneira equivocada. Eu sempre desconfiei daqueles que esmolam companhia, esses são capazes de pagar qualquer preço na hora do desespero. E nessa hora cada um se agarra no guru que pode ou merece.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 17h00
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Keep Walking com uma garrafa de Johnnie Walker no tanque A gente continua nessa bagaça numas de pirraça e numas de prazer. É o jeito que a gente pode né Sandro? Trocamos alguns rocks nas esquinas e olhamos inutilmente com uma ponta de preocupação praquela garotinha junkie que vai cair em breve no fundo do poço. Mas ela tem que cair, né? Não há muita saída, alguns sempre cairão. O atalho sempre está esburacado e, pra alguns, a estrada principal pode ser muito mais perigosa do que se imagina. O Sandrão me descolou uma cópia do Heartattack and Vine do Tom Waits, ele sabe que eu sou fã do cara e fez essa preza. Valeu, mister. Aí dá pra pensar numa continuação. Dá pra escrever algum poema e pregar no orelhão junto com o anúncio das putas. Dá pra postar por aqui alguma impressão de um troço qualquer que talvez não faça sentido pruma porrada de gente. Talvez aquela garotinha junkie esteja chorando sozinha em algum canto do quarto ou talvez a diversão esteja apenas começando, nunca se sabe. Por isso botar moral no meio desses troços pode ser uma roleta russa. Keep Walking com uma garrafa de Johnnie Walker no tanque. Alguma diversão sob o céu. Ou como dizia o velho hippie mala da Treze de Maio com a Santo Antônio: "Amanhã não me pertence."
Escrito por Ricardo Carlaccio às 04h02
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Antes do fim de tudo Acabo de abrir o blog de um amigo e descubro uma coisa triste. O post começa a falar de um nome no passado, ele era e tals.... Saquei que vinha merda pela frente, alguém próximo que havia deixado a coisa toda por aqui, um cara gente finíssima que foi embora. Então eu comecei a lembrar do meu pai e de todos os brothers. E que nunca é demais tomar uma com eles e congratular o simples fato de estarmos por aqui, porque amanhã a casa pode estar vazia com o prato do toca discos girando sozinho lá no fundo da sala esperando inutilmente por alguém que não vai mais voltar.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 13h02
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Di Terça 
Escrito por Ricardo Carlaccio às 09h53
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Hoje Pocket Espetáculo Distraídos Venceremos
Eu assisti o espetáculo que o Ademir Assunção idealizou lá no Itaú Cultural, fodaço. Delicado para caralho, esse é o termo. Agora rola no Sesc Consolação, uma parada imperdível pra quem aprecia o trabalho do Leminski. Poemas do Paulo Leminski por Alice Ruiz, Áurea Leminski, Mário Bortolotto e Ademir Assunção Às 20:00hs no Sesc Consolação (Espaço Beta-terceiro andar), Rua Doutor Vila Nova, 245.
Grátis
Escrito por Ricardo Carlaccio às 12h38
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Hoje 
Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h29
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Um trecho do livro "Indignação" de Philip Roth ...Esses jovens não sabiam o que era a humilhação, enquanto, pra mim e todos os outros, ela estava sempre zunindo acima de nossas cabeças como a mosca ou o mosquito que nunca vai embora. Qual o propósito da evolução ao fazer que apenas um em um milhão tivesse a aparência do rapaz que estava diante de mim? Qual a função de tal beleza, se não chamar a atenção para a imperfeições dos demais? Embora eu não tivesse sido abandonado de todo pelo deus da aparência, o padrão brutal estabelecido por aquele modelo de excelência me transformava, quando comparado a ele, em monstruosa mediocridade. Ao falar com ele eu tinha de afastar os olhos porque seus traços eram perfeitos demais, sua aparência tão humilhante, tão insultuosa_tão relevante. "Por que você não vem jantar lá em casa uma noite dessas?", ele perguntou. "Venha amanhã a noite. Vamos ter rosbife. Você vai comer bem, vai se encontrar com os irmãos da fraternidade e não está obrigado a fazer mais nada." "Não", eu disse, "não acredito em fraternidades."
Escrito por Ricardo Carlaccio às 03h44
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Se Todos Os Pais Fossem como John Winchester Tô lendo o livro “Indignação” do Philip Roth, peguei da prateleira e tá indo num fôlego só, o cara tem as manha. Tem feeling, ironia e time. Dele só tinha lido o Homem Comum. Acabando esse texto eu volto pro “Indignação", tá calor para caralho e eu sei que não vou conseguir dormir antes das cinco, tá acabando a Coca Cola e reduzi bastante as pastilhas de nicotina. Tudo pelo destilado e pelo vinho. Parei de fumar pra preservar meu estômago e com isso vou beber mais. Pra algumas coisas minha teimosia serve. Agora vou ler essa bagaça até os passarinhos começarem a cantar, o Philip escreve pra caralho e essa é uma história sobre um garoto que se manda pro meio oeste pra se ver longe de um pai mala e superprotetor. Marcus é do tipo bem comportado que faz tudo certo, de acordo com as convenções, um garoto bem cuzão ao meu ver. E mesmo assim desperta cagaço em seu pai, temeroso de que o garoto se torne um cara adulto. Família pode ser uma piada mortal. E falando em pais: cuzões ou durões preservando a matilha, hoje eu assisti um episódio do Supernatural em que o pai Winchester teima em caçar sozinho um covil de vampiros. Os irmãos Sam e Dean insistem em dar uma assistência, mas John é um cara durão, porra. É um velho Winchester que tem medo de perder seus filhos nesse troço tenebroso. Numa parada dessas dá pra entender o medo do pai. Então segue sozinho. Mas quando o velho tá prestes a se fuder, os irmãos acabam defendendo seu escalpo detonando o covil. Então ele chega numa conclusão do caralho de que em família eles são mais fortes e que os três vão seguir e caçar o demônio juntos, mesmo sabendo do risco de perder seus filhos. Grande John Winchester.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 04h23
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Mais Leminski

Escrito por Ricardo Carlaccio às 15h51
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O Bruno Bandido, lá de Porto Alegre, escreveu um puta texto legal sobre meu livro "Dois Minutos de Gasolina para a Meia Noite"
O livro do Carlaccio que eu comentei ontem também é foda pra caralho. Porra, os contos do cara são tipo botar um conhaque na mochila, sair por aí pra dar umas bandas, tentar umas fodas, ou dialogar com a melancolia. Como eu sou adepto de fazer tudo isso aí em cima, o livro me bate como mais uma dessas coisas preciosas do que eu tento chamar de vida. O conto que dá o nome da bagaça, “Dois Minutos de Gasolina para a Meia Noite”, puta nome por sinal, é um dos mais bonitos. Um cara no meio da estrada, na véspera de ano novo, sem conseguir chegar ao seu destino, simplesmente, porque ele não tem um. Fica lá, sentado num posto, vendo os fogos de artifícios estourarem na hora da virada, sem encontrar os seus amigos, sem saber o que quer, mas sacando muito bem o que não quer. É tipo isso, a gente passa de título pra título e vai ficando aquela impressão das pessoas que não se entregam e sabem que vão se foder por isso. Fantasmas de um Kerouac que não existiu, que nunca quis voltar pra casa e só seguiu por aí. Jovens com seus mavecos ou opalas, fazendo a felicidade de prostitutas. Velhos que já sabem que todos esses garotos estão fodidos, mas, mesmo assim, têm a dignidade de não aconselhar, de não dizer “não faça o que eu fiz” porque, provavelmente, já não iria adiantar mais porra nenhuma. Não cabe a ninguém estraçalhar a ingenuidade de um jovem, só a ele mesmo. E lá no meio do livro tá um dos meus contos favoritos, não só do livro, mas de todos os contos que eu gosto. “Célula Junkie” é o nome dele, eu gostei pra caralho desse daí. E a capa também é muito foda, acho que é Henrique Ervilha, o cara que fez, não conheço mais nada dele, mas dá pra sacar que desenha demais. Bruno Bandido
Escrito por Ricardo Carlaccio às 03h51
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