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Sabotagens líricas em bares suspeitos - Parte II
Fiquei alheio a qualquer tipo de situação que me tirasse daquele delírio. Um puta delírio erótico em que o mundo vira uma grande buceta. Todos os perfumes são ameaçadores. Todas as cadelas no cio arrancando um último suspiro. Eu tinha todas as mulheres do mundo com todas suas mumunhas e sacanagens, malícias e instintos maternais, vocações pra filhas e bocas perfumadas prontas pra serem fodidas. Mulheres prontas pra serem destruídas, incineradas ou cozidas no meio de uma suruba. Prontas pra serem amadas incondicionalmente por algumas horas ou pela vida inteira. Eu tinha todas elas e nenhuma. Um jeito nobre de ficar só. A ausência do amor de travesseiros. Eu precisava de todas as fêmeas pra copular com o mundo. Era preciso ser coelho, ratazana e cachorro do mato. Não era preciso nada. Cuidados, cultivo, presença. Nada. Só flanar e morder as bordas do paraíso até chegar no miolo prometido e encontrar Deus regando a cara de absinto. A junkysinha tinha sido coroada num funeral cheio de ausências e com toda culpa católica. Um romance sem enredo, só fluxo. O Sexus do Miller acabado. Corri pelas ruas do centro tentando ser salvo pelo herói impossível, um cara desprezível. Voltei pra banheira doce. A francesa tava no miolo do paraíso prometido, entre cães vagabundos e fugitivos . Aquilo me tirava de um delírio e me levava prum outro ainda mais subversivo. Os primeiros raios de sol já não eram tão ameaçadores. As cobertas eram ternas. My funny valentine e tiros no espelho. Não havia nenhum lugar, absolutamente nada identificável, só lindas, realmente reluzentes esquinas recheadas de pólvora e exageros.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 21h37
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