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Pockets & bitucas no cinzeiro
Nessa semana sai a reimpressão de "Um Drink no Bunker", como sempre dá uns paus. Uns desencontros entre eu e o gráfico. Mas no final das contas sai e é isso que importa. Já saíram três pockets. O Postal Mambembe. Um livro que eu particularmente deixei de gostar ao longo do tempo. É claro que gosto de alguns poemas dele, até postei no blog alguma coisa. Mas no final saquei que aquela ainda não era a minha pegada. Falta fúria, grosseria, lirismo. Não que eu não quisesse dizer aquelas coisas. O fato é que eu não tinha descoberto a veia estourada no meu pulso. Depois veio o "Balada Perdida". Primeiro conto, lisérgico, roqueiro, como uma primeira noite no meio do néon. Quando comecei escrevê-lo senti a mesma sensação de estar escutando pela primeira vez um disco de rock n'roll. De estar pisando numa calçada selvagem do Bixiga e sentindo que a coisa toda era um desconsolo, era um breu esfumaçado e que dali pra frente tudo ficaria pior e que eu teria que descobrir um tipo de prazer mórbido naquilo tudo ou desistiria. Não desisti, mandei o “Blues Escarlate”, mais podrão, pedreiro, seco, quase sem poesia em prosa. Segurando o lirismo como uma faca ensangüentada entre os dentes, massacrando a velha máquina de escrever como um vira-latas no cio, escutando Maysa ao vivo no Canecão, um puta disco. Escrevi ali em cima do viaduto Nove de Julho, num velho pardieiro sobre o Bar Estadão.
Esses pockets já esgotaram. Tem gente que pede, mas eu fico devendo por enquanto. Uma reedição seria bacana. Não me falta vontade de republicar, exceto o Postal Mambembe eu reeditaria os últimos dois com o maior tesão do mundo. Mas a minha estrutura independente só permite a publicação de livro novo. “Um Drink no Bunker” esgotou antes do esperado e isso me deixou realmente feliz, a reimpressão está pronta e circulando. Têm texto novo sendo trampado, vez por outra literatura no blog e bitucas de cigarro sendo acumuladas no cinzeiro. O pulmão vai mal como sempre, mas enquanto eu estiver por aí vou escrevendo. Vomitando o capeta no ralo e demolindo casa na beira do precipício. Abração aos chapas e alguns jabs nos inimigos
Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h02
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