NEAL CASSADY ROUBOU MEU MAVECO
     
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O bom e o mau Luigi Calabrês

Realmente sou amigo de poucas pessoas e de muitos fantasmas. Sou mais chapa das idéias daqueles que falam pouco e contemplam uma lâmina afiada guardada secretamente na bainha. Sempre preferi um quarto trancado e escuro rolando bons vinis de rock n´roll a bares lotados. Isso exigia uma atitude de festa que nunca tive. Sempre preferi as garotas de óculos às Pamela Andersons. As conversas com os malucos de BR passando fome aqui em São Paulo sempre foram muito mais agradáveis do que aquelas com hippies florzinhas tocando um violão desafinado. Prefiro uva Cabernet a Merlot. Prefiro Tom Zé ao viadão pedante do Caetano.

            Isso era previsto desde pirralho, desde que o seu Luigi, o velho calabrês da vizinhança no Butantã picou o punhal nas banhas de um desafeto e o deixou ali estendido com setenta quilos de carne de segunda em pleno domingo de Páscoa. O velho tinha travado uma camaradagem comigo um pouco antes da punhalada. Um bocado de seu jeito durão e uma indiferença fora do comum eram motivos de desafeto entre a vizinhança. No entanto, meu afeto por ele era justamente por essas duas qualidades.

Depois do incidente ele ficou trancafiado por uns dois meses e pegou apenas uma condicional por causa da idade. Logo depois de voltar pra casa ele bateu na minha porta. Tinha umas mudas de plantas e uma caixa de chocolates nas mãos. Eu olhei pros seus olhos com o respeito que olhava pro Charles Bronson nos filmes do Domingo Maior. Eu só olhava e as palavras não saíam. Ficamos assim por alguns instantes enquanto ele mantinha um riso raro e honesto. A única certeza que eu tinha é que um bocado de maldade e outro de sensibilidade lhe pertenciam de fato. E aquilo tudo pertencia ao povo da Calábria e a todos os carcamanos, então pertencia a mim também e eu era cúmplice daquele velho. Ele me deu a caixa de chocolates e eu apertei sua mão de maneira rara e honesta. Ele alargou ainda mais o sorriso e nunca tocamos no assunto do crime. Tomávamos algumas taças de vinho seco nos Natais e nos cumprimentávamos apenas com os olhos e aquilo nos bastava.



Escrito por Ricardo Carlaccio às 19h07
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