Neal Cassady Roubou meu Maveco
Eu catei esse pocket punk, a nova edição, ou melhor a última edição do On the Road pra reler na madruga, a primeira que eu li foi aquela versão da Brasiliense, catei na biblioteca, bem surradinho tava o livro. Catar livro em biblioteca é outro troço punk pra cacete. Se for roubado melhor ainda. E não venha nenhum mala politicamente correto me dizer que estou errado em incitar que roubem as bibliotecas públicas. Se alguém pensar em falar merda já vou antecipando um foda-se.
Vai aí um pouco do bop de Kerouac.
... todos meus amigos de então eram "intelectuais" _ Chad, o antropólogo nietzchiano, Carlo Marx e sua maluca conversa surrealista em voz baixa e olhos fixos, Old Bull Lee e sua crítica cáustica, corrosiva e arrastada contra tudo e contra todos _ ou então eram criminosos foragidos como Elmer Hassel com aquele seu risinho sarcástico, que se repetia em Jane Lee, atirada sobre o pano oriental de seu sofá, torcendo o nariz para o New Yorker. Mas a inteligência de Dean era muito mais brilhante, formal e completa, sem nada daquela intelectualidade tediosa. E a "criminalidade "dele não era enfadonho ou escarnecedor, mas uma vibrante e positiva explosão de alegria americana, era o oeste, o vento do oeste, um cântigo às planícies, algo novo, há muito profetizado, vindo de longe (ele só roubava carros pra dar umas voltas). Além disso, todos os meus amigos nova iorquinos tavam numa viagem baixo astral, naquele pesadelo negativista de combater o sistema, citando suas tediosas razões literárias, psicanalíticas ou politicas, enquanto Dean simplesmente mergulhava nessa mesma sociedade, faminto de pão e amor, ele estava pouco ser lixando pra tudo isso, "desde que eu descole uma gata mansa e linda com aquele lugar delicioso entre as pernas, garoto" ou portanto que eu arranje o que comer, meu filho, sacou ? estou com fome, morrendo de fome, vamos comer, agora, já !" e lá íamos nós comer, no primeiro lugar que surgisse, como diz o Eclesiastes: "Eis sua porção no sol".
Escrito por Ricardo Carlaccio às 10h20
[]
[envie esta mensagem]
Praça da República dos meus Sonhos
A estátua de Álvares de Azevedo é devorada com
paciência pela paisagem de morfina
a praça leva pontes aplicadas no centro de seu corpo
e crianças brincando na Tarde de esterco
Praça da República dos meus Sonhos
onde tudo se fez febre e pombas crucificadas
onde beatificados vêm agitar as massas
onde Garcia Lorca espera seu dentista
onde conquistamos a imensa desolação dos dias
mais doces
os meninos tiveram seus testículos espetados pela
multidão
lábios coagulam sem estardalhaço
os mictórios tomam um lugar na luz
e os coqueiros se fixam onde o vento desarruma
os cabelos
Delirium Tremens diante do Paraíso bundas glabras
sexo de papel anjos deitados nos canteiros cobertos
de cal água fumegante nas privadas cérebros
sulcados de acenos
os veterinários passam lentos lendo Dom Casmurro
há jovens pederastas embebidos em lilás
e putas com a noite passeando em torno de suas unhas
há uma gota de chuva na cabeleira abandonada
enquanto o sangue faz naufragar as corolas
Oh minhas visões lembranças de Rimbaud praça da
República dos meus Sonhos última sabedoria
debruçada numa porta santa
( roberto piva poema do livro PARANÓIA de 1963 )
Esse poema não tá gravado no papel. Esse barato todo tá mesmo é numa película.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 00h31
[]
[envie esta mensagem]
Pedro de Lara foi reprovar Deus

Eu achei du caralho quando vi o Pedro de Lara apresentando o Calouros em Delírios no extinto canal 21. Era um programa de calouros apresentado às 6 horas da matina de domingo. Não que eu acordasse pra assistir. Mas geralmente eu tava me preparando pra dormir nesse horário e aí eu ficava assistindo os piores calouros da face da terra. O programa era exibido ao vivo nesse horário. Ou pelo menos a produção dizia que era. No tempo eu até fiquei afins de ver ao vivo e conferir. Pena que eu empurrei com a barriga e acabei não indo. Era um programa tosco de verdade. O pior de todos que já vi. Por isso era genial.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 15h54
[]
[envie esta mensagem]
Saiu a revista LASANHA número 4. A Revista é produzida pelo Maicknuclear. O mocó onde vocês vão encontrar uma caralhada de escritores chapados.
Há umas duas semanas atrás eu estava conversando com o Sandro, e ele me disse que o Maick mandava uma porrada de contos alucinados por e-mail pra meninada. O mais bacana é que a meninada imprimia os textos pra curtirem no busão enquanto iam pro trampo. Eram caras legais que trocavam idéias com: Kerouac, Bukowski, Fante e mais uma cambada de vagabundos iluminados. Esses caras começaram a ler literatura por causa dos Gibis e do Bob Dylan. O que valia era a bolacha no prato proporcionando alguma tranquilidade.
O MAICK E A LASANHA ESTÃO LINKADOS NO MEU BLOG.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 22h09
[]
[envie esta mensagem]
|