 |
Um prato de merda na beira do Mississipi
Eu tava afim de fazer um blog só de putaria e escatologia há algum tempo. Não que eu não tenha publicado algumas dessas nos meus pockets ou mesmo no Neal Cassady Roubou Meu Maveco. Já publiquei sem nenhuma elegância algumas delas. Mas a grosseria nos textos me diverte e eu simplesmente quero fazer isso num blog só disso, assim fico mais à vontade. Eu nunca pedi que uma garota me desse uma sopa de merda num prato de prata. Alguns travestis eu já enrabei mesmo e não tenho nenhum pudor em dizer isso, já enrabei e foi gostoso. O troço por aqui é ficcional na maioria das vezes e outras aconteceram de fato, cabe aos leitores usarem a imaginação. A maioria das estórias são narradas em primeira pessoa, pelo simples fato de eu ficar mais à vontade na hora de escrever. É só um personagem loser, paranóico que nunca sente prazer de fato. Mas que segue sem rumo esporrando na boca de vagabundos, enrabando travecos, tomando banho de merda e voyerizando cenas de bestialidade. Um cara que pratica modalidades diferentes de sexo apenas pra se sentir vivo.
O nome do blog novo é: As vadias do James Brown . Vai aí o link: http://bluevelvet.zip.net
Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h16
[]
[envie esta mensagem]
“Fuck” aos politicamente incorretos
Babaquice achar que Tropa de Elite é uma apologia a tortura e que o filme está defendendo a polícia. Existe uma diferença enorme entre defender e mostrar o ponto de vista. O que foi feito é realismo de prima, sem firulas.
No meio de um campo minado por escopetas não dá pra alisar. E eu não tô falando de nenhuma baboseira tipo tolerância zero contra o crime, por mim droga tinha mesmo é que ser liberada, mas o sistema não permite provavelmente porque é beneficiado pela ilegalidade. Mas se um policial vai fazer seu trabalho ele tem que fazer por inteiro, se está no inferno abraça o capeta, se fosse pra ser manso o bicho ia fazer tererê na praia. Do outro lado o cara da favela tá ali, na borda da sociedade, comendo a casca do camarão. E se for pra dar um trampo em qualquer lugar pra ganhar no máximo quinhentos paus por mês ele fica por ali mesmo, trabalhando pro tráfico e ganhando no mínimo três vezes mais . É só abraçar e pegar a bolada. Pô bicho, não dá pra pagar de inocente. Não dá pra falar em bom caratismo diante de uma situação dessas, não dá pra falar em ética. Um moleque que pode ganhar uma graninha a mais e prestígio dentro da favela não vai gastar sapato trampando de Office Boy pra magnata. No fim das contas tá todo mundo fudido, policial e bandido. O grande lance é que filme abre a discussão pra todos os lados, ele é polifônico saca. Não é novelinha mexicana que de um lado tá o bem e do outro tá o mal. As pessoas que viram o filme dessa forma maniqueísta são no mínimo limitadas, pra não chamar de burras mesmo.
Quanto aquele bando de playboys “bem intencionados”o roteiro foi certeiro metendo o dedo na ferida de ongs picaretas que se instalam no meio da favela pra eleger senador. Deve até existir algumas Ongs bacanas, mas a Ong que o filme coloca é do tipo sacana e infelizmente elas são a maioria. Taí, achei legal pra cacete quando aquele bando de imbecil se fode. Eu realmente ri quando a garotinha do Leblon toma uma bala na nuca e aquele seu amiguinho é carbonizado no meio dos pneus. Realmente du caralho, porque essa molecada às vezes gosta de brincar de bacana e fazer festinha no beco dos bandidos. Playboy adora flertar com os fudidos. Chegar perto, brincar na lage, fazer excursão rocinha e os cambau. E na hora do vamos ver eles sempre arregam.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 02h12
[]
[envie esta mensagem]
UMA GARAGEM NO MEIO DA NOITE
Um dia desses eu fui moleque. Botava três luvas de inverno na mão, sacava minha bola de capotão besuntada de sebo no fundo do quintal e saía pra rua em busca de alguma coisa que eu jamais sabia o que era. Eu não sabia que todo filme que ficava registrado na minha memória era em preto e branco. Isso eu só fui sacar depois dos vinte anos, na hora que as coisas começaram a ficar desordenadas. Até hoje eu nunca tive paciência pra colocá-las em ordem, apenas descolei uma prateleira pra que elas não ficassem espalhadas pelo chão, pra que suportassem a minha presença sem reclamações. Pra que agüentassem meu peso de uma maneira mais delicada. Nunca pensei seriamente em usar coletes à prova de balas e tomar engov antes de uma bebedeira homérica, sinceramente nunca pensei nessas coisas. Sempre deixei os loucos virem em bandos com seus diálogos desenfreados e seus códigos de conduta mais éticos que o código dos burgueses no rigor da moralidade. Lembro do seu Antônio com seu inglês fluente e uma foto três por quatro que ele fazia questão de tirar do bolso e exibí-la no meio de suas longas estórias. Sua foto tirada há vinte anos atrás era parecida com a cara de algum beatnik que eu tinha visto em algum livro, mais tarde descobri que era com o Kerouac que ele se parecia . Ele pedia cigarros com sua cordialidade aristocrática e dava longos tragos que diziam o quanto eles eram sagrados. Naquele tempo eu não podia me sentir mais tranqüilo senão na hora em que tomávamos pingados e pão com mortadela na padaria do Largo do Bonfiglioli às sete da manhã. Eram conversas recheadas de ternura e aquele velho maluco era realmente capaz de escutar o canto dos passarinhos e sacar suas notas melodiosas ao mesmo tempo que se excitava com as coxas das garotinhas que iam em bando praticar algum tipo de esporte. Contava sobre casos com as empregadas das casas ao redor da área onde ele dormia e como elas facilitavam sua entrada prum sono tranqüilo dentro de uma garagem no meio da noite. O cara tinha sido abandonado pela mulher há uns quinze anos atrás e tava ali esse tempo todo pagando algum tipo de penitência, dormindo sobre os escombros da culpa.
Alguns caras são mais ferozes e enganam os viadutos, disfarçam como mestres e de alguma maneira continuam. Outros psicóticos cometem homicídios e depois metem um crivo no meio da testa. Mas muitos caras legais vão parar debaixo da ponte por causa de uma mulher, lembram, é Chinaski. Essa epígrafe me remeteu aquele velho que parecia o Kerouac barbudo. E ela sempre me deu um pouco de medo, mesmo sabendo o quanto eu sou forte e capaz de resistir aos desaforos da vida. Lembrei da bola de capotão besuntada no fundo do quintal, ali pesada de água e bicas. Meus dez anos foram geniais, mas os trinta estão aí e sinceramente eu tô achando do caralho. As fotos em preto e branco são realmente delicadas. O dark side pode ser lindo depois da meia noite e no meio de duas garrafas de vinho. Eu revejo ele diariamente em suas diversas tonalidades de escuridão e descubro definitivamente que eu jamais vou caber dentro de um armário minuciosamente arrumado.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 01h10
[]
[envie esta mensagem]
|
 |
 |