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Escrito por Ricardo Carlaccio às 19h02
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O Corvo Carioca
Eu sabia, sabia que sairia com a mochila nas costas como um David Banner. Iria embora tranqüilo com um urubu sabido pousado no meu ombro. Esse urubu sempre me acompanha, é meu parceirinho, meu amuleto, meu guia. Ele sempre fala sobre os risos de desespero, ele conversou incessantemente comigo sobre os fantasmas enquanto passávamos sob os arcos da Lapa. Também deu a letra de que o Rio de Janeiro não é necessariamente uma mulher e sim uma bela travesti deitada numa cama maltrapilha do hotel da ladeira rindo da Babilônia. Me fez sacar que a cidade é um grande Boca de Ouro ornado de um riso cínico sobre os cadáveres de seus ciganos. O que fica na minha cabeça é a Lapa, Santa Teresa e a primeira imagem do Cemitério do Caju que eu vi de uma avenida qualquer quando entrei na cidade. O que fica é o Cristo como a ponta da pica do Travesti Gigante. Eu sempre fui um David Banner, e é essa a minha forma de ver beleza nas coisas. Sérgio Sampaio é a Lapa. Tom e Vinícius, Ipanema. Eu desci e subi a Serra das Araras escutando Sérgio Sampaio.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 17h36
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Espere a primavera, Bandini
Queria ser um bom menino, mas tinha medo de ser um bom menino porque receava que seus amigos o chamassem de bom menino.
John Fante
Escrito por Ricardo Carlaccio às 15h08
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