CIDADÃO ARTE CLUBE
VOLUME II
O ESPAÇO PARA REUNIR QUEM FAZ ARTE NUMA FESTA PARA TODO MUNDO
MICROFONE ABERTO : FALE O QUE QUISER
LANÇAMENTO DO LIVRO : FAMINTA ... DE FELIPE DOUTEL
SHOW COM CANTARILHOS - MISTURALISMO – MÚSICA, TEATRO E POESIA
POCKET SHOW COM AS PEQUENAS JAPONESAS
SÁBADO
05 DE ABRIL DE 2008
A PARTIR DAS 21 HORAS
ENTRADA SÓ R$ 5,00
RUA RIO GRANDE DO SUL , 73 CENTRO – SÃO CAETANO DO SUL
Escrito por Ricardo Carlaccio às 19h58
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Esse eu raptei do livro Nuvem Cigana, poesia e delírio no Rio dos anos setenta, esse livro foi organizado por Sergio Cohn e está chapado de poemas e depoimentos da marginália carioca. Esse que eu postei abaixo é um poema do Bernardo Vilhena (lembra de Vida Bandida, cantada pelo Lobão. Taí, a letra é desse cara), que junto com o grande Chacal e mais uma troupe furiosa de poetas bandidos e categas participou de um movimento chamado Nuvem Cigana. Depois que terminei de ler o livro, lembrei do final de uma música do Sérgio Sampaio, que termina, eu acho que é mais ou menos assim: "pois é rapaz, essa seresta foi demais."
PS : Os "erros" de português no poema são propositais. Os caras não estavam nessa.
esse cara não existe
olha aí meu chapa
é o seguinte
no duro no duro
o que eu queria mesmo
era passar uns três dias sem existir
três diasinhos só
sem problema sem dinheiro sem fome sem sede sem sono
sem nada
absolutamente nada
e nem um telefone vai tocar pra mim
nem um sinal vai fechar pra mim
nem um cana vai me pedir documento
porque afinal eu não existo
não tenho identidade cpf título de eleitor
e nem um pingo de personalidade
já pensou?
cadê o bernardo?
bernardo? que bernardo? qual bernardo?
o magalhães, o figueredo, o da silva
ou o bernardo de niterói _ fundador do charme da simpatia?
não meu chapa
ninguém ia perguntar por mim
porque simplesmente eu não existo
e não existe nenhuma armadilha que eu possa armar pra
mim mesmo
nenhuma artimanha nenhum sentido razão ou instinto
capaz de me fazer existir
porque o prazo é de três dias
três diasinhos só
mas que felicidade
eu e mais ninguém
aliás nem eu
e mais ninguém
sozinho de mim mesmo
sozinho até daquela semi maluca que não me sai da cabeça
me entenda bem: não tô falando de amnésia
desmaio morte ou sumiço
tô falando de deixar de existir
já pensou?
eu não quero nem pensar porque quem não existe meu chapa
nem pensa
Bernardo Vilhena
Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h07
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