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Esses diálogos geniais do Garth Ennis

Tulipa: Pelo que sei, têm dois locais perfeitos pra se procurar Deus: Na igreja ou no fundo de uma garrafa.
Jesse Custer: Então, talvez eu deva procurar uma loja de bebidas. Pois uma coisa eu digo: Numa igreja é que ele não está.
Preacher ( A caminho do texas)
Escrito por Ricardo Carlaccio às 13h35
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Nada a Perder
Eu tinha uns dez anos quando assisti Warriors pela primeira vez. Era bem diferente dos filmes que eu via nos cinemas do centro, com meu pai, por lá, geralmente eram coisas mais inocentes. Muitos filmes que eu via com o velho eram bem bacanas, mas inocentes. As coisas mais violentas eu sapecava sozinho da televisão durante a noite.
Quando a testosterona começou a fervilhar saí pras primeiras noitadas no Bixiga. Eu ia mais pro lado rock'nroll de lá. Ia de coturno e camisetas de bandas que eu gosto até hoje, como Black Sabbath e Deep Purple. A coisa era simples. Bastava estar disposto a andar um bocado e não vacilar. Era necessário manter os punhos cerrados no Bronx paulistano. E voltar de manhã pro Butantã era mais ou menos como no final de Warriors

Escrito por Ricardo Carlaccio às 01h08
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Amigos de Jukebox
Passei uma semana de trampo pesado, mais foi bom pra caralho. Escrevi um bocado, agora também tô podendo postar mais coisa no Neal . Amanhã começa o trampo de produção do meu novo pocket “A Última Ficha na Jukebox”. Vai ser um anda e desanda com as gráficas, mas por enquanto tá dando tudo certo. O time é legal pra caralho. Tá uma delícia ver o miolo do livro sendo editorado pela Fabi. Além de ela ser minha musa inspiradora. A pequena ama livros. É do tipo viciada mesmo. E ter uma pessoa querida dessas trampando a editoração é um luxo. Fora o Isaac com sua capa sacada do coldre, o cara manja tudo de quadrinhos e inpiração foi essa, tá du caralho, mó cara de HQ essa capa. Quanto ao Demon Boy eu só posso falar que o cara escreveu um prefácio fudidaço e certeiro, rock’n roll pra madrugada inteira. Porra, eu tenho uma puta sorte em ter esses amigos colaborando na produção. É o que faz valer todo o trabalho. Desde de pivete eu sabia que seria assim, nunca acreditei numa festa cheia de amigos. Sempre soube que seria meia dúzia, mas que seria meia dúzia de brothers de verdade, como esses caras. Sempre tive a sorte de ter amigos talentosos junto comigo. Não há loser que sucumba com os camaradas por perto. Eu costumo fazer uma oração quebrada antes de dormir. Faço do meu jeito, converso com Deus da maneira que bem entendo. E a única coisa que eu peço é que nunca deixe que os brothers faltem.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 03h30
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Eu tenho um puta tesão pelo mês de maio, talvez seja porque nessa época do ano a solidão me satisfaça ainda mais. Em maio do ano passado minha amada Fabi sacou do coldre um cd desse cara. Eu morava num sobradão velho, legal pra cacete. Ficava horas trancado no meu quarto escutando esse disco, me deleitando com a poesia do Nei. Foi demais.

Escrito por Ricardo Carlaccio às 04h30
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Esse é outro capaz de botar nosso coração na travessa

Pobre Meu Pai
Pobre meu pai Quatro punhos espalhados no ar Oito olhos vigiando o quintal E o meu coração de vidro Se quebrou Doido meu pai Sete bocas mastigando o jantar Sete loucos entre o bem e o mal E o meu coração de vidro Não parou de andar Pobre meu pai A marca no meu rosto É do seu beijo fatal O que eu levo no bolso Você não sabe mais E eu posso dormir tranqüilo Amanhã, quem sabe? Hoje, meu pai Não é uma questão de ordem ou de moral Eu sei que posso até brincar O meu carnaval Mas meu coração é outro Simples, meu pai Faça um samba enquanto o bicho não vem Saia um pouco, ligue o rádio, meu bem Não ligue, que a morte é certa Não chore, que a morte é certa Não brigue, que a morte é certa
(Sérgio Sampaio)
Escrito por Ricardo Carlaccio às 04h09
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Filme De Terror
Hoje está passando um filme de terror Na sessão das dez, um filme de terror Tenho os olhos muito atentos E os ouvidos bem abertos Quem sair de casa agora Deixe os filhos com os vizinhos Dentro da folia, um filme de terror Dura um ano inteiro, o filme de terror E na rua, um sacrifício No pescoço um crucifixo Quem ousar sair de casa Passe a tranca e feche o trinco No chão do cinema Império da Tijuca O cemitério do Caju Cemitério do Caju No cine Império da Tijuca O meu sangue jorra e borra de terror Com quem dança e ama agora o meu amor? Bruxas, medos e suspiros Dentes, pelos e vampiros Quem ousar deixar de lado Abra os olhos com os vizinhos No chão do cinema Império da Tijuca...
(Sérgio Sampaio)
Escrito por Ricardo Carlaccio às 04h06
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Eu quero é botar meu bloco na rua
Há quem diga que eu dormi de touca Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga Que eu caí do galho e que não vi saída Que eu morri de medo quando o pau quebrou
Há quem diga que eu não sei de nada Que eu não sou de nada e não peço desculpas Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira E que Durango Kid quase me pegou
Eu quero é botar meu bloco na rua Brincar, botar pra gemer Eu quero é botar meu bloco na rua Gingar, pra dar e vender
Eu, por mim, queria isso e aquilo Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso É disso que eu preciso ou não é nada disso Eu quero é todo mundo nesse carnaval...
Eu quero é botar meu bloco na rua Brincar, botar pra gemer Eu quero é botar meu bloco na rua Gingar, pra dar e vender ( Sérgio Sampaio)
Escrito por Ricardo Carlaccio às 04h00
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Contracultura no Sesc Pompéia
Acabei de colar esse post do blog do Mário Bortolotto. Eu ainda não sei exatamente o que vai rolar na programação. Mas tá dado o toque.

Escrito por Ricardo Carlaccio às 13h16
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Jesus Saves

Há uns três anos atrás o brother, livreiro e prefaciador de dois livros meus, o reverendo Adriano Lima, me emprestou a coleção inteira do Preacher. E esse tipo de coisa só acontece quando o bom Deus bota o bom livreiro em nosso caminho. Aquilo fez com que eu avançasse as noites insones com as piores companhias possíveis: Jesse Custer e o Vampiro Irlandês.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 02h45
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Sobre Cinema e Solidão

Quando o Adriano, o bom e velho livreiro, tinha uma banca de livros na Augusta. A gente se encontrava com freqüência. Muitas vezes ele estava mal humorado. Às vezes eu também estava, aliás, muitas vezes. Praguejávamos nossas misantropias. E depois eu pulava fora. Outras vezes eu encontrava ele no bar. E o cara tava lá, na enésima cerveja, uma simpatia em pessoa. Tranqüilo, piadista. Curtindo seu hedonismo numa boa. Numa dessas prosas ele me falou de um cineasta chamado Jim Jarmusch. Eu tinha acabado de conhecer a música do Tom Waits, tava fissurado no disco Rain Dogs, mas o Jim Jarmusch eu não conhecia. Daí ele falou, empolgado pra caralho: “Você precisa assistir Down by Law, o Tom Waits faz o filme inteiro”, mas o filme só rolava de vez em quando nas salas especiais de cinema, ainda não tinha saído em DVD. E eu tava na fissura pra conhecer o tal do Jim e ver o Tom Waits fazendo um filme de cabo a rabo. Até agora eu só assisti Ghost Dog e o próprio Down by Law. E ontem fiquei feliz pra caralho, porque todo domingo do mês de abril, às 22 hs, pra quem tiver o Telecine Cult, vai rolar um filme do cara. Infelizmente Down By Law já rolou ontem, fiquei sabendo em cima da hora e não deu pra postar a tempo. Ainda restam dois domingos, não tenho certeza, mas acho que ainda rolam Estranhos no Paraíso e Sobre Café e Cigarros.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 08h24
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Somos Felinos e São Paulinos
Quando eu era pivete. Além de ser um torcedor fanático do tricolor, eu tinha um gato. Minha irmã prometia buscá-lo na casa de uma amiga e trazê-lo até nós. Eu ficava numa puta ansiedade. Saía na janela um pouco antes da minha irmã chegar e nada. Ficava decepcionado. Já tava desencanando. Até que numa sexta feira, ela chega com uma caixinha, e o bichinho tava lá. Botei ele na sala e escorreguei uma bolinha de ping pong no chão. Ele parecia uma sagüi acompanhando os movimentos da bolinha. O bicho era muito pivete e ainda não tinha se tornado um dandy. Todo sábado ele ganhava uma lata de sardinha . A idéia obviamente tinha sido minha. As pessoas saem pra tomar cerveja aos sábados, vão a alguma festa. Então o bichano também tinha direito a um dia especial. Sua festa ia ser comemorada com uma lata de sardinha, às vezes eu incrementava o peixe com azeitonas que pegava escondido na geladeira. O bichano merecia um dia de rei por semana. Ele só dormia na minha cama. Era eu sentar e ele vinha pro meu colo daquele jeito especial dos gatos, sem pedir misericórdia, sem amor incondicional. Vinha, ficava um bocado e depois saia pra levar sua vida.
Pouco tempo depois ele já se tornava um machinho de pau duro. Então saia pra caçar fêmeas. Às vezes, no caminho, achava um rato e fazia questão de trazer pra casa. Como se isso nos agradasse. Uma vez ele botou um em cima da minha mãe enquanto ela dormia. A velha se desesperou, teve que levá-lo pro tanque pra lavar o bicho na marra. Lavava e xingava. Ela gostava dele, ao ponto de tolerar esse tipo de coisa. Xingava, mas o alimentava como um rei. Esse é o tipo de relação que só os gatos permitem.
Nessa última semana eu e minha amada colocamos nossos livros, gibis e discos na mesma prateleira. Botamos nosso coração na mesma travessa. E quando tudo estiver arrumado na casa vamos adotar um gato. Ele já tem nome, o bicho vai se chamar Marlowe, em homenagem ao detetive do Chandler. Por aqui somos felinos e são paulinos . Minha garota rouba vitrolas comigo e também saca David Goodis do coldre. Às vezes um cara dá sorte e encontra uma garota que gosta de gatos ao invés de filhos. Às vezes um cara dá sorte e acorda feliz ao lado de sua amada.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 17h23
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Por enquanto tá um 1x0 pro São Paulo. Se foi com a mão ou não, foda-se. Eu gosto quando o campeonato tem uma semi-final e uma final de verdade. Como já disse: se foi com a mão ou não, foda-se. Eu só quero ver o tricolor comendo um sanduíche de pernil.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 16h21
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Quando não há sinapse, não há nada à fazer
Eu tava vendendo meu pocket num bar. Ofereci meu livro pra duas pessoas ali dentro. Era um carinha e uma mulher, eles estavam juntos, e ambos não deviam ter mais que trinta anos. Quando olhei pra mesa deles mais atentamente, saquei que em cima dela estava o livro “Caçador de Pipas”, eu acho difícil, mas se algum leitor desse blogue estiver lendo esse livro, eu sugiro que rasgue imediatamente. Desculpe, mas é melhor não ler nada do que ler uma bosta dessas. Aí alguém pode falar na maior cara de pau: “Mas como você fala mal de uma coisa que nunca leu”. Pois é, nunca li, assim como nunca comi bosta pra saber que é nojento. Mas voltando à mesa do bar, o tal do caçador tava lá, e o carinha que acompanhava a moça, leitora voraz do tal livro, me disse: “Ela é jornalista, olha só como ela lê pra caralho, tá lendo agora o caçador de pipas”. Eu quase engasguei. A princípio pensei que o cara estivesse me gozando. Fiquei quieto, como se não tivesse escutado tal asneira. Daí o sujeito continuou: “Olha, ela é jornalista. Lê pra caralho e pode avaliar bem seu texto, pode fazer uma crítica de quem manja”. Daí o engasgo foi mais forte, quase vomitei nessa hora. Tentei ignorar, o primeiro sentimento foi de pena dos dois. Mas depois ironizei e disse: “É melhor ela não fazer a crítica agora. Porque depois de ler o caçador qualquer coisa que ela ler na sequência vai parecer ridícula”. O garoto ingenuamente, e ingenuidade e burrice é a mesma coisa no meu dicionário, concordou plenamente, ameaçou continuar a conversa, mas eu debandei. Saquei que a mulher era um bocadinho mais esperta que o garoto e percebeu minha maldade.
Até pouco tempo atrás eu tinha pena de gente burra, mas comecei a levar em conta o comentário da minha amada Fabi. Ela sempre diz que gente burra é gente ruim, que gente burra é perniciosa. Só fode e não merece compaixão. É isso, não é só culpa da faculdade chulé de jornalismo que provavelmente essa moça cursou. Até porque a burrice é um fantasma implacável. E não rola esse papo de falta de acesso às paradas bacanas. Eu sempre fui um fodido. Em casa ninguém lia, meus amigos de infância até hoje são analfabetos funcionais. Não tinha porra nenhuma pra me influenciar diretamente. Ninguém pra me dar um estarte. Depois sim, rolaram brothers fundamentais na minha formação. Mas lá trás, quando eu era pivete, minha única influência era a curiosidade. Em casa tinha uma daquelas enciclopédias do corpo humano, que nossa mãe compra só pra se livrar do vendedor. Era a única coisa que havia na estante. E eu folheava aquilo durante horas. Às vezes meu pai trazia um Chico Bento pra casa. Eu ainda não sabia ler. Então via os quadrinhos e depois pedia pra ele contar a estória. Com a maior paciência do mundo, o velho abria o gibi. Geralmente eu pedia na hora que ele chegava do trampo. E meu pai sempre chegava com vontade de soltar um barro. Então o velho sentava na privada e acendia um cigarro. Daí começava a ler. O cheiro de bosta era insuportável, talvez ele fizesse assim pra eu desistir de escutar. Na maioria das vezes eu agüentava firme até o último quadrinho. Às vezes não dava, acabava o oxigênio do banheiro antes do final da estória. Mas a única coisa que eu tenho certeza é que nas quartas feiras eu, invariavelmente, arregava.
Escrito por Ricardo Carlaccio às 04h26
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Vão aí, as duas melhores epígrafes que eu já vi num livro:
Pra Linda King, que me proporcionou e um dia há de me privar
(Do livro Crônica de Um Amor Louco, de Charles Bukowski)
Nunca corra atrás de ônibus ou de mulher, você sempre vai ficar pra trás _ Malrboro Man
(Do livro Bagana na Chuva, de Mário Bortolotto)
Escrito por Ricardo Carlaccio às 03h04
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A única coisa que eu posso dizer é que esse foi um dos poetas mais fodaços que eu tive o prazer de ler nos últimos tempos.
Buquê de Presságios
De tudo, talvez, permaneça
o que significa. O que
não interessa. De tudo,
quem sabe, fique aquilo
que passa. Um gerânio
de aflição. Um gosto
de obturação na boca.
Você de cabelo molhado
saindo do banho.
Uma piada. Um provérbio.
Um buquê de presságios.
Sons de gotas na torneira da pia.
Tranqueiras líricas
na velha caixa de sapato.
De tudo, talvez, restem
bêbadas anotações
no guardanapo.
E aquela música linda
Que nunca toca no rádio.
Marcelo Montenegro
Escrito por Ricardo Carlaccio às 02h53
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