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Não sejas muito justo; nem mais sábio do que é necessário, para que não venhas a ser estúpido.

                                                                                     Eclesiastes, 7, 16.



Escrito por Ricardo Carlaccio às 12h05
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Pra quem estiver no Rio

 

Eu  assisti três vezes. E assistirei outras tantas que puder. Simplesmente porque fala de um dos escritores mais verdadeiros que já li, porque é um texto extremamente bem sacado do Maurício de Arruda Mendonça e a  atuação fica por conta de um  cara que não foi correndo atrás dos textos do personagem que interpreta por causa do papel que ia fazer e sim porque a  atuação é feita por um cara que sempre leu Kerouac com paixão.

 

 

No Teatro Ziembinski - Tijuca -

 

18, 19 e 20 de Julho 

 

Rua Heitor Beltrão, s/n (em frente ao metrô São Francisco Xavier)

 

às 20h

 

Ingresso : R$ 15 (meia : R$ 7,50)

 

KEROUAC

 

Texto: Mauricio Arruda Mendonça

Direção e Iluminação : Fauzi Arap

Sonoplastia : Mário Bortolotto

Elenco : Mário Bortolotto

 

Operação Técnica : Marcelo Montenegro

 

Direção Técnica : Régis "Nêgadete" dos Santos

 

Produção : Dani Angelotti

 

Os últimos dias de vida do escritor Jack Kerouac.



Escrito por Ricardo Carlaccio às 11h05
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Às vezes é assim, a gente se engana

 

Em janeiro desse ano eu fui pela primeira vez ao Rio de Janeiro. Já tinha ouvido falar de um bar chamado Bukowski no Botafogo. A pessoa que me falou sobre ele foi uma adolescente que eu nunca tinha visto antes. No mesmo dia que cheguei no Rio achei um flyer com o nome do bar. E ali prometia uma dose dupla de qualquer destilado pelo preço de uma ( a princípio me pareceu uma homenagem honesta ao grande escritor). Imaginei que por lá eu pudesse escutar um velho rock and roll e alguns blues bacanas. Nada disso, depois de um bom tempo caçando a rua do bar no bairro do Botafogo, finalmente eu acho. Na porta sou recebido por um sujeito muito parecido com o carlinhos brown, aquilo já me dava bons motivos pra desistir, era o prenúncio da farsa. Pergunto o preço. O flyer prometia um bom desconto se o apresentasse na porta. Mas nada disso, só pra entrar na bagaça custava 18, 50 por cabeça. Isso queria dizer que iam morrer 37 paus ( meia garrafa de Jameson ou cinco de Seleta)  só pra que eu e minha amada botássemos os pés lá dentro. Olhei torto pro tal do porteiro de boutique que os modernosos chamam de "hostless". Aceitamos o preço, mais pela pernada que foi achar aquele lugar do que pelo lugar em si.

        Uma meia dúzia de quadrinhos com fotos do escritor estavam num canto do bar. Aquilo já me parecia uma verdadeira palhaçada com o grande poeta. As modernetes do balcão me serviram uma dose menor do que uma única e disseram que era o máximo que podiam fazer por mim. Rosnei o quanto aquilo era ridículo. E sabia que se tomasse umas três daquelas ia acabar fazendo bobagem.

        O som era o pior possível. O máximo que o babaca do disc jóquei conseguiu foi colocar red hot chilli peppers, que nunca passou de aceitável pros meus ouvidos. Eu tava pagando pra pisar naquele lugar que usava o nome de um de meus escritores prediletos em vão e era obrigado a escutar coisas que jamais colocaria na minha vitrola. As doses vinham cada vez menores e tudo que consegui com minhas reclamações foi uma lata de cerveja. O cara que trouxe ela pra mim percebeu que se não rolasse um agrado o prejuízo seria grande por ali. E todo mundo sairía perdendo, até eu. Com a diferença que eu não tenho medo de perder.

        Em volta todo mundo parecia estar feliz. Pareciam freqüentadores convictos do lugar. Caras que pagam dezoito pilas pra serem enganados e voltam ao seu algoz como cordeirinhos. E outros idiotas como eu que acreditam em honestidade. Eu juro que desconfiei, mas alguma coisa me dizia, os caras não iam usar o nome do escritor em vão. Essa voz que me dizia tava me enganado feio, porque eu nunca acreditei que não usassem o nome de alguma coisa legal em vão. Normalmente e  infelizmente é o que mais  fazem por aí.



Escrito por Ricardo Carlaccio às 10h53
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