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O Bruno Bandido, lá de Porto Alegre, escreveu um puta texto legal sobre meu livro "Dois Minutos de Gasolina para a Meia Noite"

O livro do Carlaccio que eu comentei ontem também é foda pra caralho. Porra, os contos do cara são tipo botar um conhaque na mochila, sair por aí pra dar umas bandas, tentar umas fodas, ou dialogar com a melancolia. Como eu sou adepto de fazer tudo isso aí em cima, o livro me bate como mais uma dessas coisas preciosas do que eu tento chamar de vida.

O conto que dá o nome da bagaça, “Dois Minutos de Gasolina para a Meia Noite”, puta nome por sinal, é um dos mais bonitos. Um cara no meio da estrada, na véspera de ano novo, sem conseguir chegar ao seu destino, simplesmente, porque ele não tem um. Fica lá, sentado num posto, vendo os fogos de artifícios estourarem na hora da virada, sem encontrar os seus amigos, sem saber o que quer, mas sacando muito bem o que não quer.

É tipo isso, a gente passa de título pra título e vai ficando aquela impressão das pessoas que não se entregam e sabem que vão se foder por isso. Fantasmas de um Kerouac que não existiu, que nunca quis voltar pra casa e só seguiu por aí. Jovens com seus mavecos ou opalas, fazendo a felicidade de prostitutas. Velhos que já sabem que todos esses garotos estão fodidos, mas, mesmo assim, têm a dignidade de não aconselhar, de não dizer “não faça o que eu fiz” porque, provavelmente, já não iria adiantar mais porra nenhuma. Não cabe a ninguém estraçalhar a ingenuidade de um jovem, só a ele mesmo.

E lá no meio do livro tá um dos meus contos favoritos, não só do livro, mas de todos os contos que eu gosto. “Célula Junkie” é o nome dele, eu gostei pra caralho desse daí. E a capa também é muito foda, acho que é Henrique Ervilha, o cara que fez, não conheço mais nada dele, mas dá pra sacar que desenha demais.

                                                            Bruno Bandido



Escrito por Ricardo Carlaccio às 03h51
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Não tem outro jeito né? Alguns de nós seguirão em frente de qualquer maneira. Então que seja com estilo.

Dia esses tava lendo o blog da Helena Hutz e achei por lá o poema Style do bom e velho Buka. Saquei esse poema pela primeira vez no filme Crônica de Um Amor Louco com o Ben Gazarra falando ele. Com o Ben Gazarra  falando ele de forma magistral. E foi nesse filme também que eu assisti  a Ornella Mutti interpretando a CassA Mulher mais Linda da Cidade. Então o Claudinei Vieira me mandou uma foto da musa pra eu enfeitar esse blogue.

                                                     foto gentilmente cedida pelo claudinei vieira

E vai aí o trecho do filme Crônica de um Amor Louco, com o poema "Style"

http://www.youtube.com/watch?v=2Poflgfftis



Escrito por Ricardo Carlaccio às 03h23
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Saca só essa que o Flávio Vajman mandou por e-mail



Escrito por Ricardo Carlaccio às 04h13
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SACO DE RATOS E MADE IN BRAZIL NO CAFÉ AURORA

Foto de Carlos Bozzeli

Hoje tem sessão dupla de rock and roll, a bagaça começa lá pelas 23:00hs e não deve ter hora pra terminar.

Local, Horário e Preço:

Café Aurora

às 23:00 hs

Treze de Maio, 112 - Bixiga

R$ 10 pilas



Escrito por Ricardo Carlaccio às 14h41
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Algum jeito de gastar a vida

 

Eu cometo falhas crassas. Repreensíveis, bastante repreensíveis. Falhas do tipo: chegar aos 33 anos de idade e nunca ter escutado com o devido respeito as canções de Johnny Cash.  Eu sabia que ele era o cara, eu sabia que ele tava falando algo a respeito de mim e do resto da matilha, até porque o resto da matilha sempre me alertou a respeito disso e eu não sou do tipo que desconfia dos amigos. E meus amigos são como o Mexicano que quebrou acidentalmente minha vitrola e depois  jurou que Deus tava lá no fundo da garrafa de vinho tinto. E é claro que tava, ele sempre tá por lá, como um bom e velho bandoleiro que nunca quer voltar pra casa e escuta o Lord Cash. Agora estou escutando o Lord Cash em sua homenagem. O Mexicano sempre me falou a respeito do Senhor Cash,  e é por essas e outras que eu nunca falei nada pra ele sobre o incidente da vitrola. Algum segredo né? Um homem precisa guardá-los, senão deixa de ser um homem. Acho que o Mexicano é um cara que tem um monte deles. Algum segredo, algum estilo, alguma dor chinfrim quando o dia tá pra amanhecer e aquele amigo insiste em andar mais um quarteirão só pra noite não morrer. Então a gente fica gastando a vida enquanto a padoka da esquina assa mais um enroladinho de calabresa.



Escrito por Ricardo Carlaccio às 03h21
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Uma manhã mais leve com um copo de Domecq

 

Tem um brother meu, o Lingüinha, ele é um cara legal para caralho. Uma criança disfarçada de vilão. Ou eu estou sendo redundante, porque na verdade, todo vilão é uma criança grande. Hoje, já com o dia dando as caras, ele me conta essa história:

 

“Quando eu era criança meu irmão tinha uns amigos punks lá em Curitiba e eu fazia uns desenhos no Moicano deles.  Vinha uma porrada deles lá em casa e em troca dos desenhos  eles me levavam carrinho, bola, chocolate e os cambau. Daí eu perguntava invocado pra eles: ‘como vocês conseguem grana pra comprar essas coisas se passam o dia inteiro fumando maconha e bebendo?' E a rapaziada punk caiu na gargalhada.”

 

Essa era a convivência do Lingüinha quando criança. Isso é o que eu chamo de educação de um bandido.



Escrito por Ricardo Carlaccio às 23h47
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